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riscos_e_rabiscos

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Acerca do meu Eu.

Que eu encontre dentro de mim as doses de amor que preciso, para viver todos os dias com a certeza que sou feita de sentimentos bons, e se porventura algo amargar, que eu feche os olhos e retorne para dentro outra vez até que adoce novamente. 


Scheila A. Hinnah

Sempre fui educada/ensinada a cultivar os bons sentimentos, a ser amiga dos outros, a amar, a respeitar, a ser confidente. Outros sentimentos pouco nobres só vim a ter contacto com eles já bem tarde, quando comecei a perder alguma inocência e, mais tarde ainda, com os pontapés com que a vida me tem presenteado.


Ao encontrar esta frase, identifiquei-me de imediato com ela. De forma alguma quero ser outra pessoa que não a que sou. Não quero o meu coração ocupado com amarguras, com coisas que não fazem parte da minha essência. Mas se isso acontecer, recolho a mim e só voltarei quando reencontrar a minha essência, o meu eu verdadeiro: ingénuo, sem maldade e sempre pronto para dar o amor que sinto cá dentro. 



Do Amor.

E ao fim do meu dia, eu vou querer estar com você. E vou querer te dizer as palavras que guardo muito secretamente e não cedo a ninguém, olhar para ti mais uma vez e perguntar se a realidade é tão bonita assim. Ao fim do meu dia, eu vou te abraçar antes de dormir e sentir que não importa a vida que me espera lá fora, eu estou feliz aqui com você.

Camila Costa

 

 


Deprimida.

Cá em casa sabem mesmo como acabar comigo num estalar de dedos. Eu bem me esforço para fugir à depressão, para relevar as coisas mas há dias em que não dá. Não consigo. E hoje está a ser um deles.

 

Depois de almoço começou o meu inferno: o cão ladrava porque o estúpido (apetecia-me mesmo era dizer uma asneira) de um miúdo pôs-se a provocar o cão aqui debaixo da janela. Para ajudar à festa, começaram os implicanços e respectivas gritarias aqui do clã. Eu aguentei, juro que aguentei. Fiquei com uma enxaqueca brutal mas aguentei.

 

Envolvi-me nas minhas costuras mas acabei por desistir. Depois de uma pequena pausa disto tudo, regressa o clã todo a casa e aí começaram as acusações do costume contra a minha pessoa.

Lavada em lágrimas, arrumei toda as coisas. Não protestei nem disse nada, apenas que já não ia fazer nada porque já estava enervada. Caiu o Carmo e a Trindade!!!! Já é habitual, eu nunca posso dizer nada porque ficam todos ofendidos com o que eu digo. Já me habituei a estar calada mas às vezes esqueço-me e digo qualquer coisa.

 

Fiquei completamente arrasada e desmotivada e com as minhas mil interrogações do costume a passarem-me pela cabeça, enquanto as lágrimas caiam na almofada. Depois sou arrebatada com aquele vazio, aquela falta de forças e o nó na garganta. Os nervos abrem-me o apetite (mais uma maldição1) e só me apetece engolir tudo o que me aparece à frente

 

E é nestas alturas que sou fortemente consciencializada do mal que a crise me está a fazer, da minha real incapacidade financeira que me faz depender de outros pois não sou capaz de susbsistir com aquilo que ganho, com o balde de água fria que é ir à luta, tentar fazer coisas para combater esta situação e não conseguir.

 

E é isto tudo que me aniquila, que me deprime profundamente. E as lágrimas soltam-se e lavam-me o rosto como se fossem uma cascata...

O Dia Mundial do Livro e os Hábitos de Leitura.

Desde muito miúda que a minha mãe me começou a incentivar à leitura, a entrar no fascinante mundo dos livros. Desde sempre que me lembro dela me presentear com todo o tipo de livrinhos, desde aos mais pequenos aos maiores.
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Eu adorava - e adoro - os meus livros e estimava-os como se fossem a coisa mais preciosa ao cimo da terra. E não gostava quando os emprestava e eles pareciam ter vindo do caixote do lixo. Isso magoava-me, deixava-me triste e jurava intimamente jamais voltar a emprestar aquele "pedacinho de mim", do meu mundo a quem quer que fosse. Ainda hoje sou assim comichosa com os meus livros, sejam eles quais forem. Pra mim é impensável escrever, tirar notas a caneta num livro e pontas dobradas é como se me dobrassem as unhas. Manias!

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Em miúda, quando vinham as férias grandes, as férias de verão, adorava passar as tardes de calor, com o meu desaparecido cão Rex ao meu lado, a ler tudo o que me aparecesse à frente: os meus adorados livros da BD da Luluzinha, os livros de mistério da Patrícia, d'Os Cinco, os clássicos portugueses desde o Júlio Dinis até ao Camilo Castelo branco ou Eça de Queirós. Quando o calor baixava, voltava para a rua para andar de bicicleta, saltar à corda ou jogar à macaca.
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Depois veio o tempo do secundário e da universidade e, sendo eu de letras, mais livros vieram preencher a minha vida, conheci outros mundos, outras realidades. Cheguei a um ponto que já não tinha mais espaço para livros e sempre que pensava adquirir um livro, tinha de ponderar se teria espaço.
P
Com o decorrer dos tempos, o tempo começou a escassear, a disponibilidade para a leitura também diminuiu e a frequência de aquisição de livros passou a ser bem diminuta. Com o tempo a ser pouco e com o encarecimento dos livros e o dinheiro a ter de ser bem contadinho, o incentivo começa a ser pouco.
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Gostava muito de recuperar os meus antigos hábitos de leitura. Talvez obrigar-me a ler uma ou duas páginas - sim, porque mais deve ser missão impossível - antes de adormecer. Ir buscar os livros cuja leitura não terminei ou nunca cheguei a iniciar ou até mesmo reler livros que tanto amei.
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Que acham? :)))

No dia em que caí da cama...

Adormeci ao som da chuva que caía tocada a vento. Deitei-me com a dor de cabeça que a minha dor de coluna (por causa do vento) me provocou e nem a cabeça conseguia assentar na almofada.

 

Como já vos contei algures em posts mais antigos, o Bóbi gosta de se ir deitar na minha cama aos meus pés. E eu não me importo. Ele costuma fazer isto quando o tempo começa a arrefecer e sente frio. Vai à procura do calor das minhas pernas. Por isso, aos pés da minha cama está sempre uma coberta especial para ele, para que não se deite na minha roupa.

 

Com a baixa de temperatura repentina e com o vento forte, o menino Bóbi deve ter sentido frio e, esta noite, veio para a minha cama. Eu senti a presença dele junto às minhas pernas já de madrugada. Lá dei as minhas reviravoltas debaixo do edredon e continuei o meu sono.

Mais para a frente, o bicho aninhou-se mesmo no meio das minhas pernas que deviam estar semi-abertas ( não me lembro!).

 

Subitamente, começo a sentir o cão a descair para o lado e eu tentei ampará-lo com as minhas pernas. Ele a descair e eu a ampará-lo... Mas quem consegue amparar um canídio de 30 kilos só com uma perna (ele estava mais em cima de uma do que da outra)?!? É claro que isto não ia dar boa coisa...

 

De repente, só digo "Bóbi vais cair" e... catrapumba! Caio eu e o cão no chão! Já viram isto?!? Só me faltava ter partido a cabeça, já agora...

A Minha Vida Não Me Pertence

                             

 

Existem vidas que não pertencem aos seus donos. Que os outros as “roubaram” por algum motivo e que os fizeram perder o poder sobre ela. Às vezes não se vive, sobrevive-se.

 

Conheço alguns casos que me deixam bastante tocada, principalmente porque os conheço de perto. A F. é a protagonista de um desses casos. A pouca vida que tinha, foi-lhe roubada muito nova. De aspecto pouco cuidado e com baixa auto-estima, sempre viveu para os outros: para os pais cruéis, para um irmão tirano e para um sobrinho abandonado.

 

Nunca teve direito a ser feliz, até agora, nem a ter uma vida própria ou um namorado. De repente, caiu-lhe o mundo no colo. Perdeu o emprego que tinha, desleixou-se fisicamente e a dificuldade para encontrar outro emprego tem sido grande.

 

O seu grande coração consegue abarcar uns pais que acham que ela é uma escrava e o filho do irmão que foi abandonado por ambos os pais. O irmão não se interessa pelo filho e nem contribui financeiramente para a sua criação. A F. tem tomado conta do sobrinho como se fosse o filho que ela não tem. E ainda por cima, a criança teve alguns problemas que implicaram gastos extras com médicos especialistas e terapeutas.

 

Sempre que o irmão vai a casa dos pais, ela é escorraçada da mesa. Vai comer para outro lado qualquer, como se fosse um cão. E os pais permitem isto; é a distinção entre filhos na própria casa.

Costuma dizer-se que há quem cuspa no prato onde come. Neste caso é cuspir em cima de quem lhes dá de comer.

 

Outro caso é o da I., uma mulher de 50 anos que deixou de viver a sua vida para tratar de uma irmã doente e de um pai velho.

Namorou muitos anos com um homem que ela amava e com quem pretendia casar e ser feliz na vida. As coisas começaram a correr menos bem e o peso da família a seu cargo começou a ser maior. O namoro acabou, bem como a vida dela.

Resta-lhe o trabalho e ir para casa tomar conta do pai e da irmã. Não tem uma amiga nem ninguém para ir com ela tomar um simples café. E é triste e tocante ouvi-la falar sobre isto, contar a sua própria história.

 

E agora pergunto eu: porque é que a vida tem de ser tão injusta? Quem tem o direito de impedir que se viva a própria vida? Podem dizer que são opções que se fazem mas eu não penso assim. São imposições, isso sim, pois não se tem escolha. Ou melhor, até pode haver escolha entre tomar conta ou abandoná-los à própria sorte, mas quem conseguiria viver de consciência tranquila?

E às tantas, quando nos apercebemos, a nossa vida já não pertence, são os outros que comandam a nossa vida. Vivemos em função dos outros e esquecemo-nos de nós, das nossas necessidades.

 

Tem de ser sair do trabalho e ir a correr para casa tratar da família; não há espaço para tomarmos um café e pormos a conversa em dia com uma amiga (e muitas vezes nem para cultivar amizades!); a liberdade de se dar uma volta e ter o prazer de comprar um livro ou algo que nos dê prazer é inexistente…

 

O importante aqui é não nos esquecermos de nós. Eu sei que é fácil falar mas também temos de fazer um pouco por nós. Não podemos perder o combóio da nossa vida! É que um dia os outros passam para outra dimensão e nós ficamos sozinho. E nessa altura, quem vai cuidar de nós?

 

 

 

Lembrei-me de Mim

                                     

 

Reparei que existia. Acordei bem disposta como sempre. Mas não sei se pelo desaparecimento da chuva ou pelo aparecimento do sol, reparei em mim. Lembrei-me que eu existia.

 

Decidi então que iria enfeitar-me. Como há muito não o fazia ou então só em ocasiões especiais.

Vesti peças de roupa que eu gosto muito, das cores que eu prefiro e que me ficam bem. Lavei o cabelo e dei-lhe um jeito diferente do liso habitual (embora de liso não passe). 

 

Coloquei os meus cremes faciais e, decidi, que se a moldura da cara estava diferente, a cara também teria de o estar. Foi nessa altura que me lembrei daquilo que me dizem: que tenho uns olhos muito bonitos. Evidenciei-os um pouco mais. Passei rímel e coloquei um belo risco azul por cima, na pálpebra junto às pestanas. Adoro este lápis!

 

Mas achei que o quadro não estava completo. Faltava-lhe uma pincelada. Colori os lábios com o meu batom favorito: um gloss em tom natural mas de reflexos dourados. Os lábios ficaram lindos.

 

Rematei com o perfume. Hoje não foi o meu cheiro diário. Resolvi que se tinha caprichado nas outras coisas, aqui também o teria de fazer. Fui buscar o do frasquinho azul. Simplesmente delicioso. Sinto vontade de me cheirar a mim própria permanentemente.

 

E assim saí de casa: luminosa e perfumada.

 

Taciturna

 

 

Estou como o tempo: ora faço sol, ora me embrulho…
Com momentos de resplendor e momentos de cinzentismo.
Com o coração repleto de felicidade mas com um punhal prestes a cravar-se-lhe.
Sinto-me invisível, transparente…
Como um qualquer objecto sem importância que o vento transporta ao acaso.
Um charco de chuva pisado por descuido.
Uma gota de chuva igual a tantas outras.
Deambulo só no meio de tanta gente.
Tanta gente e ninguém…
Sinto-me ignorada no meio da multidão.
Mas caminho.